APAMI/Petrolina em crise: desesperada, mãe de criança com câncer apela para garantir tratamento

Cada Ampola da medicação tem um custo de R$ 6.462,54. Sem condições de arcar com a despesa, Simone teme que a saúde do filho seja prejudicada.

“A situação é muito grave, pois tem pacientes que estão sofrendo por falta de quimioterapia. Estamos desesperados.” O depoimento de Simone Tavares, 37 anos, faz referência a atual situação da Associação Petrolinense de Amparo à Maternidade e à Infância (Apami), instituição referência em tratamentos de Oncologia no Vale do São Francisco. Mãe de Gabriel, de 11 anos, paciente oncológico que há nove meses luta contra uma Leucemia Linfóide Aguda, um tipo de câncer no sangue, a enfermeira está preocupada com a situação precária que APAMI vem enfrentando nas últimas semanas.

De acordo com Simone, em conversa com o portal Preto no Branco, há cerca de dois meses a instituição apresentou os primeiros sinais de que o estoque da medicação para os tratamentos de Quimioterapia estava comprometido. Alguns pacientes adultos deixaram de receber os medicamentos, e o tratamento das crianças foi priorizado. Entretanto, recentemente, os pacientes infantis da APAMI também começaram a ser afetados, tendo em vista a escassez da medicação.

“Há algumas semanas já havia percebido o olhar triste da oncologista quando meu filho tinha se internado após adquirir uma infecção por conta do tratamento, que é bem agressivo. Mas na quarta-feira da semana passada ela desabafou comigo e relatou que a situação está ainda pior, por que já começaram faltar medicações que seriam destinadas para as crianças. Vi vários pacientes voltarem para suas casas sem atendimento”, relatou.

Gabriel, filho de Simone, recebeu o diagnóstico da doença em maio de 2018. Ele necessita tomar uma medicação quimioterápica, “Asparaginase”, imprescindível para o alcance da cura, como aponta o laudo médico. Deveriam ser aplicadas 9 ampolas ao longo desses 9 meses de tratamento. Entretanto, na penúltima sessão de internamento de Gabriel em 7 de janeiro, a medicação não foi aplicada pois estava em falta. Na última, realizada no último dia 8 de fevereiro, a criança também não foi medicada. Ou seja, parte do tratamento foi interrompido por falta de reposição do estoque.

Cada Ampola da medicação tem um custo de R$ 6.462,54. Sem condições de arcar com a despesa, Simone teme que a saúde do filho seja prejudicada.

“São medicamentos caros, eu não tenho condições nenhuma de comprar, assim como outras mães, pois o tratamento de quimioterapia é um tratamento caro. Estamos pedindo socorro. É uma situação constrangedora que a gente tá vivendo. Desde quando a médica me falou da situação, eu não consigo dormir direito. Bate um medo pois há seis anos eu perdi um filho com a mesma patologia, um tipo de leucemia, só que mais agressiva. O câncer não espera”, desabafou.

Buscando apoio para que o problema da APAMI seja solucionado, Simone publicou um texto em seu perfil na rede social Instagram, onde faz um desabafo sobre a angústia que está vivendo nos últimos dias.

“Meu coração está estraçalhado, sabe? O medo bateu pois meu filho está nessa luta também. Estou vindo nas redes sociais pedir a amigos que compartilhe meu poste de indignação. O Hospital Dom Tomás recebe pacientes de todas as idades e de várias cidades, e muitos estão sem fazer o uso das quimioterapia pois está em falta. Eu vi no olhar das médicas, enfermeiros, técnicos, uma equipe em peso, tristes com toda essa situação que a APAMI está vivendo. Compartilhe esse poste até chegar aos órgãos para que tenham consciência de tudo que um paciente oncológico vive. Peço a Deus que venha com tua graça e misericórdia e que Ele toque nesses corações, para que venham rever a situação da APAMI”, diz parte do texto – (na íntegra no fim da reportagem).

A mãe de Gabriel espera que políticos que atuam nas cidades do Vale do São Francisco e outros municípios que são atendidos na instituição, contribuam com a luta dos pacientes, pressionando a Secretaria de Saúde e o Governo Federal, para o repasse de verba. A APAMI atende aos estados de Pernambuco, Bahia e Piauí e oferece atendimentos ambulatoriais, internações, tratamentos quimioterápicos e distribuição de medicamentos.

“Todos os prefeitos são responsáveis e devem lutar junto com a gente. Acho que eles deveriam olhar mais para nossa saúde, que está pedindo socorro, assim como Hospital do Câncer. Antes, quem era diagnosticado precisava sair da cidade, mas hoje nós temos esse privilégio de ter um hospital aqui. Mas infelizmente, está ameaçado. Os governantes estão se fechando para isso. Assim como o câncer bateu na minha porta duas vezes e na de outras mães, pode bater nas deles também. Pagamos impostos, confiamos em nossos governantes, e eles precisam fazer o serviço deles e nos honrar”, conclui Simone.

“A situação que estamos passando, não está sendo fácil. Estou muito triste e nervosa com a situação. Precisamos da ajuda de todos. A APAMI é uma instituição que oferece muito amor, todos nós sentimos isso, mas esses dias o ambiente está triste. Está faltando quase tudo. Ouvi dizer que até eles estão com salários atrasados. Tudo isso machuca a gente. O desespero bateu na porta, e todo mundo fica se perguntando o que fazer”, finaliza a mãe de Gabriel.

Simone também nos informou que haverá uma manifestação na próxima quinta-feira (28), às 6h30, saindo da sede da APAMI, em Petrolina, com objetivo de chamar atenção das autoridades sobre a necessidade de uma intervenção urgente que garanta o pleno funcionamento da unidade.

Serviços suspensos em 2018

Há cerca de um ano, em 9 janeiro de 2018, os atendimentos ambulatoriais, internações, tratamentos quimioterápicos e distribuição de medicamentos adjuvantes para pacientes oncológicos oferecidos pela Apami foram suspensos. A paralisação foi resultado de dificuldades financeiras para compra de medicamentos, insumos e pagamentos de funcionários.

Na época com cerca de 18 mil pessoas em atendimento clínico e cerca de 1.700 em tratamento direito contra o câncer, a APAMI ficou mais de três meses sem receber recursos da Secretaria de Saúde de Pernambuco, e com uma dívida de cerca de 2 milhões e 500 mil reais. A dívida com fornecedores impedia a compra de medicamentos.

Diversos pacientes foram prejudicados. O PNB acompanhou o sofrimento de Katussia Almeida, paciente da unidade de saúde – relembre a matéria.

Os atendimentos foram normalizados alguns dias após o fechamento.

O PNB está em contato com a Administração da APAMI.

Veja o relato completo de Simone Ferreira:

 

O Hospital Dom Tomás está passando novamente por dificuldades, dificuldades essa q está faltando Quimioterapias isso mesmo tem pacientes q já está a quase dois meses sem poder fazer uso de quimioterapia, antes faltava para adultos mas hoje já está faltando para as crianças, eu fico indignada com esses governantes De nosso país pagamos tantos impostos e na hora q precisamos é assim. Na semana passada tomei mesmo conhecimento q o pior aconteceu na realidade varias crianças voltando pois muitas vem de tão longe para fazer o uso desse tipo de medicação, meu coração está estrassalhado sabe e o medo bateu pois meu filho está nessa luta tbm. Estou vindo nas redes sociais pedir a amigos que compartilhe meu poste de indignação e q essa mensagem chegue até prefeitos tanto de juazeiro, Petrolina e outras cidades pois a APAMI que é o Hospital Dom Tomás recebe pacientes de todas as idades e de varias cidades e muitos estão sei fazer o uso das quimioterapia pois está em falta, eu vi no olhar das médicas , Enfermeiros, técnicos uma equipe em peso tristes com toda essa situação q APAMI está vivendo nos ajude compartilhe esse post até chegar a órgãos q sejam e tenham consciência de tudo q um paciente oncológico vive. Assim cmo eu mãe de Gabriel com 11 anos q há nove meses foi diagnosticado e precisa tbm assim como varios precisam . Fica aqui a minha tristeza e indignação onde nós elegemos e colocamos para tentar nos ajudar mas infelizmente nos deixa ao (Leo) A saúde e educação deveria ser colocado em primeiro lugar mas não eles esquecem, infelizmente essa situação está em todo lugar, mas por favor aqueles q tem o poder nas mãos q revejam a situação de pacientes oncológicos. Infelizmente esses dias eu não tenho conseguido dormir pois o medo e a tristeza tomou conta de mim eu amo meus filhos e meu Gabriel está na luta pela cura e quer viver por isso ele e outros precisam desse tratamento com quimioterapia , peço a Deus q venha com tua graça e misericórdia e q Ele toque nesses corações e venham rever a situação da APAMI NOSSO HOSPITAL DO CÂNCER EM PETROLINA😔🙏😭😭😔

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Da Redação por Thiago Santos

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