Adolecente de Petrolina sofre ameaças de traficantes após ter sua foto divulgada junto a informações falsa em grupos de WhatsApp

 

Uma família de Petrolina não esconde a aflição por conta de um boato divulgado em grupos de redes sociais. Ao Programa Carlos Britto, na Rural FM, eles informaram que divulgaram uma foto junto a informações falsa e um áudio com ameaças a uma Adolecente de 14 anos.

Usuários dos grupos de WhatsApp, supostamente traficantes, estão compartilhando a foto dela acompanhada de um áudio. Eles dizem que ela se passa por usuária de drogas, pede para eles [os traficantes] entregarem a droga em algum local, e quando eles chegam lá, o pai dela, que é policial, está com uma equipe”, diz a irmã da jovem, que não quer se pronunciar.

A foto divulgada foi retirada do Facebook da jovem. Um perfil falso na mesma rede social também foi criado, mas a foto dela foi apagada. A jovem ficou sabendo da divulgação das mensagens através de amigos, que as receberam em grupos de Juazeiro (BA). “Nosso medo é eles fazerem o que estão prometendo”, desabafa a irmã. No áudio, a pessoa que expõe a situação promete matá-la.

A familia reforça a verdadeira versão dos fotos, a jovem que está tendo sua foto divulgada não tem nada haver com o que vem sento divulgado nos grupos, e pede que não compartilhem as informações.

Aflita com a situação, a família da vítima já procurou as polícias civis de Petrolina e Juazeiro (BA). Como ela é menor de idade, o Blog foi orientado a não divulgar a foto que circula nos grupos de WhatsApp.

Ouçam o áudio com a ameaça abaixo:

Tocador de áudio

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Muitas vezes, você pode estar ajudando a difundir mentiras pelas redes sociais, mesmo sem saber. É sempre bom ter isto em mente: a produção e o compartilhamento de notícias falsas e boatos são crimes no Brasil e as penas podem chegar a quase 3 anos. Esses crimes são previstos e tipificados pelo Código Penal e pelo Código Eleitoral.

Então, é bom tomar mais cuidado com aquela foto estranha que você repassa no WhatsApp, ou com aquele vídeo falso que você publica no Facebook, ou com aquele meme engraçadinho que você posta no Twitter. Isso deve ser feito para que você se proteja, para que o próximo seja respeitado e para que a nossa democracia seja valorizada e fortalecida.

Mas aí você pode pensar: “ué, mas eu estou recebendo tantas notícias. Sei que algumas são falsas, outras não tenho certeza, mas acabo compartilhando a maioria delas”.

Realmente, as “fake news” estão sendo usadas como uma ferramenta bastante comum nessas eleições. Existem verdadeiras máquinas dedicadas a produzir e difundir notícias falsas. E, nesse cenário, você pode simplesmente estar sendo enganado.

Tem gente, por outro lado, que está cometendo o crime de mentir e divulgar notícias falsas, assumindo, de forma consciente, esse risco.
Esse risco pode ser levado a consequências graves, seja para quem produz e divulga as notícias falsas, seja para quem é vítima delas. Existem casos, por exemplo, até de pessoas que já foram assassinadas, vítimas de linchamento, por causa de notícias falsas divulgadas contra elas. Uma verdadeira tragédia, né?

Notícias falsas e Lei

Mas, afinal, o que seriam as “fake news”? Em uma tradução direta, fake news significa notícias falsas e diz respeito a informações que não possuem autoria declarada, fonte, data ou veracidade. São notícias que usualmente se espalham rapidamente pela Internet sem qualquer cuidado com sua veracidade e autoria e, normalmente, com a intenção de destruir a reputação de uma pessoa, empresa e organizações.

O Brasil não possui lei que aborde especificamente as “fake news”, mas o infrator pode ser punido com base nas penas para os crimes de calúnia, injúria e difamação.

O Artigo 138 do Código Penal, por exemplo, define que “caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime” pode levar a uma pena de “detenção, de seis meses a dois anos”, além de multa, e que na “mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga”.

Percebeu como isso tem relação direta com as “fake news”?

Já injuriar alguém (Artigo 140), ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, pode levar a uma pena de um a seis meses de detenção, ou multa.
Ocorre que, “se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”, a pena pode atingir de um a três anos de reclusão, além de multa. Três anos! Já pensou, que tristeza na vida de alguém?!

Portanto, a melhor dica para não correr o risco de passar adiante uma notícia falsa é: sempre dê uma respirada e uma pensada antes de encaminhar algo. Veja quem está postando aquele conteúdo e verifique se ele é verdadeiro.

Como fazer isso? Apure a informação na Internet, veja se não é fake ou se existe alguém que a desmente, pergunte para quem postou se aquele conteúdo é verdadeiro e se a pessoa checou a informação antes de repassar para o grupo. Normalmente, seu colega ou amigo não fez isso. E, ao fazer esse gesto, você ajudará outras pessoas e melhorará as práticas e a qualidade da rede social em que vocês estão juntos.

Listamos abaixo alguns sites que se dedicam exclusivamente a apurar e desmentir as notícias falsas.

E elencamos, também, alguns artigos do Código Penal e do Código Eleitoral para você entender como a questão funciona do ponto de vista jurídico. São artigos que não esgotam a questão, pois a pessoa que incorre nesse tipo de prática pode ser enquadrada por outras leis e crimes também, como a lei federal 12.891/2013.

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