Mãe da menina Beatriz e amigos protestam na frente da Câmara de Vereadores de Petrolina, PE

Eles foram contra ao espaço concedido na tribuna da Casa Plínio Amorim ao advogado Wank Medrado, que defende Alisson Henrique Carvalho.

A mãe da menina Beatriz, Lúcia Mota, realizou na manhã desta terça-feira (08) um ato de repúdio, na frente da Câmara de Vereadores de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. O protesto foi contra o espaço concedido na tribuna da Casa Plínio Amorim ao advogado Wank Medrado, que defende Alisson Henrique Carvalho, suspeito de ter apagado imagens das câmeras de segurança que poderiam ter ajudado nas investigações do assassinato de Beatriz.

Parentes e amigos da menina Beatriz se manifestaram através de faixas, cartazes e um carro de som. No microfone, Lúcia Mota, disse que não concordava com a atitude da Câmara de Vereadores. “Este é um ato de repúdio contra os vereadores da Câmara de Petrolina. No dia do crime, a polícia pediu a Alisson as imagens das câmeras, e o que foi que Alisson disse no dia? Porque ele não entregou as imagens naquele dia para a polícia? Muitas perguntas precisam ser respondidas pelo advogado de Alisson, mas não é aqui não, é no judiciário. É onde ele está respondendo um processo por ter obstruído as investigações do caso Beatriz”, esclareceu Lúcia.

Lúcia Mota e amigos protestam na frente da Câmara de Vereadores de Petrolina — Foto: Reprodução/ TV Grande Rio Lúcia Mota e amigos protestam na frente da Câmara de Vereadores de Petrolina — Foto: Reprodução/ TV Grande Rio

Lúcia Mota e amigos protestam na frente da Câmara de Vereadores de Petrolina — Foto: Reprodução/ TV Grande Rio

O advogado Wank Medrado explicou que a intenção é evitar que injustiças sejam cometidas. “O objetivo dessa reunião é pedir que a Câmara de Vereadores, dentro da importância que exerce, no caso do povo, possa atuar no caso da menor Beatriz Angélica, para evitar que injustiças sejam cometidas, que eu digo sempre que a gente precisa olhar a situação por dois ângulos. Nós temos dois ângulos, de um lado uma morte trágica, a morte da criança que precisa de uma resposta, e de outro lado, temos uma acusação injusta contra Alisson de ter apagado imagens”, destacou.

O uso da tribuna livre é concedido a quem faz solicitação prévia por meio de ofício à Câmara de Vereadores de Petrolina.

Em nota, a Câmara Municipal de Petrolina disse que “Considera legítima a atitude dos pais de Beatriz em realizar mais um protesto, pois, sempre foi solidária a dor da família e com a mesma expectativa aguarda o desfecho da investigação pela justiça que possa elucidar o caso e punir na forma da lei os culpados. No entanto, enquanto Poder Legistivo, casa do povo petrolinense, tem que garantir a todos sem nenhuma distinção o mesmo direito. Assim como foi dado por várias oportunidades o direito à família de se pronunciar na Câmara sobre o lamentável episódio, solicitada que foi através de ofício assinado pelo advogado do Alisson Henrique, Dr Wank Medrado, a Casa também concedeu o espaço devidamente previsto no Art 102 do Regimento Interno, que afirma que qualquer cidadão tem direito a Tribuna Livre. Art 102 – O Grande Expediente será dividido em duas partes: a primeira parte para uso da tribuna pelos vereadores, antecedendo a Ordem do Dia, e a outra parte para o uso da Tribuna livre para autoridade e personalidade. Portanto, a Mesa Diretora apenas cumpriu com o Regimento Interno dando a todo e qualquer cidadão o mesmo direito previsto em lei“.

Alisson Henrique de Carvalho Cunha era funcionário terceirizado da escola e foi indiciado por apagar as imagens — Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoAlisson Henrique de Carvalho Cunha era funcionário terceirizado da escola e foi indiciado por apagar as imagens — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Alisson Henrique de Carvalho Cunha era funcionário terceirizado da escola e foi indiciado por apagar as imagens — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Em setembro deste ano, Alisson que encontrava-se foragido desde 2018, teve um pedido de prisão revogado pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. A pesar disso, o inquérito envolvendo Alisson continua porque o arquivamento depende da conclusão do inquérito policial da morte de Beatriz. Ele foi acusado de ter apagado as imagens do circuito interno do colégio onde a menina Beatriz foi encontrada morta com 42 facadas, em dezembro de 2015.

Entenda o caso

Beatriz Angélica Mota — Foto: Arquivo pessoal / FamíliaBeatriz Angélica Mota — Foto: Arquivo pessoal / Família

Beatriz Angélica Mota — Foto: Arquivo pessoal / Família

Beatriz Angélica foi assassinada com 42 facadas dentro de um dos mais tradicionais colégios particulares de Petrolina. O crime ocorreu dentro da quadra onde acontecia a solenidade de formatura das turmas do terceiro ano da escola. A irmã da menina era uma das formandas.

A última imagem que a polícia tem de Beatriz foi registrada às 21h59 do dia 10 de dezembro de 2015, quando ela se afasta da mãe e vai até o bebedouro do colégio, localizado na parte inferior da quadra. Minutos depois, o corpo da criança foi encontrado atrás de um armário, dentro de uma sala de material esportivo que estava desativada após um incêndio provocado por ex-alunos do colégio.

Em fevereiro de 2016 a Polícia divulgou um retrato falado do suspeito de matar a menina. Em março de 2017 a polícia divulgou um vídeo com imagens detalhadas do suspeito de cometer o crime. Até o momento, quatro delegados ficaram à frente das investigações do assassinato de Beatriz.

G1 Petrolina

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