A visão do novo ministro sobre o enfrentamento da pandemia está mais alinhada com a do antecessor do que com a do novo chefe. A relação entre Teich e Bolsonaro, contudo, tende a ser amistosa, diferente da atual troca de provocações diárias que antagoniza Mandetta e o presidente.
A escolha de Teich não foi aleatória. O médico se aproximou de Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018 e chegou a atuar como consultor da área de saúde do então candidato. Passada a vitória nas urnas, chegou a se reunir com Bolsonaro no quartel-general da transição, levado pelo timoneiro econômico da equipe, Paulo Guedes.
A visita motivou especulações de que Teich poderia ser o escolhido para o ministério. Na ocasião, porém, o presidente acatou a indicação do recém-eleito governador de Goiás, Ronaldo Caiado, seu aliado político e padrinho da nomeação de Mandetta.
Embora tenha sido preterido, Teich colaborou com o governo. Por pelo menos cinco meses, entre setembro do ano passado e janeiro de 2020, ele atuou como consultor do secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna. Eles também foram sócios em uma fundação chamada MDI Instituto de Educação e Pesquisa.
Nascido no Rio, Nelson Luiz Sperle Teich começou a carreira no Hospital da Vila Residencial de Praia Brava, onde trabalhou por quatro anos. Logo em seguida, fundou sua própria empresa, a Clínicas Oncológicas Integradas (COI), hoje um conglomerado especializado em tratamento do câncer que conta com 18 centros de excelência, sendo sete no Rio, 10 em São Paulo e um em Pernambuco.
Com especializações em ciências médicas e econômicas por universidades renomadas como Harvard, nos Estados Unidos, e York, no Reino Unido, Teich entende que a dicotomia entre saúde e economia no atual debate político é “desastrosa porque trata estratégias complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas”. Em artigo publicado no início do mês na plataforma Linkedin, ele defendeu o distanciamento como forma de ganhar tempo e “entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país”, em discurso muito semelhante ao de Mandetta.

