O Sindicato dos Agricultores Familiares de Petrolina (Sintraf) tem acompanhado de perto a crise enfrentada pela categoria durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), solicitando inclusive ajuda política e institucional para as famílias que vão sobrevivendo com a produção de subsistência enquanto esperam as medidas emergenciais anunciadas pelos governos e órgãos públicos, serem executadas. Até o momento, na maioria das vezes, o sindicato tem recebido resposta negativa para seu apelo.
No dia 23 de abril último, a entidade enviou um ofício ao Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) em que solicitava a inclusão dos agricultores familiares do Perímetro de Irrigação Senador Nilo Coelho no cadastro de produtores aptos para o fornecimento de produtos com recursos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Segundo o sindicato, a iniciativa ajudaria várias famílias “fortemente afetadas por essa pandemia”.
Segundo a presidente do Sintraf, Isália Damacena. “A resposta do IPA foi a de que o público dele é outro, que fica no Porto de Palha, Muquém, Pedra Grande e Bebedouro, e que o recurso é pouco. Mas a agricultura familiar do Nilo Coelho não é feita por agricultores familiares, por acaso? O que os pequenos produtores precisam é vender suas frutas antes que percam mais uma safra”, reclamou.
O IPA ainda indicou que poderá “inserir alguns agricultores” do perímetro no PAA, embora tal medida dependa da abertura de novos recursos orçamentários. De acordo com o órgão, existem outras modalidades de compras institucionais que os agricultores poderiam participar, e citou o futuro lançamento de editais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do governo do Estado. “A categoria está precisando de socorro para agora, não para amanhã nem depois. O IPA cadastrou este ano mais 200 pessoas da área de sequeiro no PAA, só que não tem ninguém da área irrigada. Gostaríamos que as autoridades fossem mais sensíveis à crise que todos os agricultores estão enfrentando”, finalizou a sindicalista. Blog do Varlos Britto

