A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central, encerra a tentativa de preservação da instituição ligada ao Banco Master e inicia um processo burocrático e monitorado. O dinheiro dos clientes não é perdido, mas o acesso deixa de ser imediato.
Depósitos em conta corrente, poupança e investimentos como CDB, LCI e LCA estão protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, já incluídos os rendimentos até a data da liquidação. Para receber, o cliente deverá aguardar o envio da lista de credores pelo liquidante ao FGC, o que costuma levar de 30 a 60 dias, podendo se estender. Valores acima desse teto entram na massa liquidanda e só serão pagos se houver recursos após a venda dos ativos do banco, seguindo a ordem legal.
Os investimentos ficam congelados, sem nova rentabilidade. O FGC não cobre fundos de investimento, ações, debêntures, CRI/CRA, COE, previdência privada, Tesouro Direto ou criptomoedas.
Na prática, os cartões de crédito deixam de funcionar imediatamente, inclusive para pagamentos recorrentes, por bloqueio das bandeiras. Já as dívidas não são perdoadas: faturas e empréstimos devem continuar sendo pagos, sob risco de negativação em SPC/Serasa. Não há compensação automática entre saldo em conta e dívidas.
Especialistas recomendam que os clientes guardem comprovantes e prints das movimentações realizadas até a data da suspensão e evitem novas transações após a liquidação.
Fornecedores do banco também são impactados: em geral, são credores quirografários e só recebem após créditos trabalhistas, garantidos e tributários, se ainda houver patrimônio.
O Will Bank entrou em colapso após descumprir obrigações no sistema de pagamentos da Mastercard. Apesar de representar menos de 1% do sistema financeiro, a liquidação afeta cerca de 12 milhões de clientes, muitos do Nordeste e antes desbancarizados.
Como receber pelo FGC:
acessar o app ou site oficial do FGC;
aguardar a lista de credores;
atualizar dados e indicar a conta para recebimento;
receber até R$ 250 mil.
O pagamento estimado pode alcançar R$ 6,3 bilhões. O FGC não cobra taxas e não usa intermediários.


