InícioGERALJustiça condena jovem de 18 anos que planejou atacar escola no Agreste...

Justiça condena jovem de 18 anos que planejou atacar escola no Agreste de Pernambuco em 2025

Author

Date

Category

A Vara Única da Comarca de Cachoeirinha, no Agreste, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), condenou um homem de 18 anos acusado de planejar um ataque à sua antiga escola na cidade. A defesa alega que ele é inocente, agiu por curiosidade e jamais cometeria o atentado.

Na decisão, o juiz condenou o homem a 2 anos e 10 meses de prisão por disseminar nas redes sociais discurso de ódio, incitação à violência, apologia à autolesão, suicídios, massacres escolares e violência extrema. Como ele já cumpriu mais de 6 meses de prisão preventiva, o magistrado determinou que ele vá para o regime aberto. O acusado não poderá utilizar internet e deverá manter distância mínima de 300 metros de escolas públicas ou privadas.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o réu, entre 16 de junho de 2025 e 8 de julho de 2025, da sua casa em Cachoeirinha, praticou, induziu e incitou a discriminação e o preconceito de raça, etnia e religião por meio da rede social X, antigo Twitter. No mesmo período, ele teria feito, publicamente, apologia de fatos criminosos e de autores de crimes.

O caso foi investigado pelo Núcleo de Investigação Cibernética do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPPE.

Referências a massacres

O núcleo identificou que o denunciado utilizava perfis com referência ao termo “estuprador” e ao número 1488, “notória saudação neonazista”.

Além disso, ele usava “Sapirman” como nome de exibição, uma alusão a um autor de tiroteio em massa nos Estados Unidos.

Em 16 de junho de 2025, o réu publicou a frase “I want to use this account to publicize my attack” (“Quero usar esta conta para divulgar meu ataque”).

Em mensagem posterior, escreveu que precisava planejar uma maneira de chamar a atenção e citou outros autores de massacres escolares ocorridos em 2024 e 2025.

“Tal postagem configura clara apologia aos crimes cometidos (…) [por] autores de massacres escolares que resultaram em diversas mortes, exaltando seus atos e manifestando o desejo de obter notoriedade da mesma forma”, conclui o MPPE.

De acordo com o Ministério Público, a análise do celular do acusado “revelou conversas alarmantes na plataforma TikTok, que demonstram que [o acusado] estava planejando cometer um atentado extremista”. O órgão continua: “Inclusive, ele já havia escolhido o alvo: sua antiga escola”.

No dia 19 de junho de 2025, o réu escreve: “Em breve eu tbm irei realizar o meu ataque”. Na mesma data, ele publica que quer matar a mãe.

Já em 5 de julho, o denunciado afirma “I’m planning to attack my old school” (“Estou planejando atacar minha antiga escola”). Na mesma conversa, segundo o MPPE, ele expressa temor de “falhar e não ficar famoso” a um interlocutor.

O celular também continha mais de 3 mil imagens de armas de fogo e mais de mil de facas.

Já no histórico de navegação foram encontrados acessos a páginas a partir de temas como “como fazer um massacre”, “como transmitir ao vivo” e “como comprar uma arma”.

O MPPE cita que, informalmente, a mãe do investigado contou que ele vivia “a aperreando por uma arma” e que “vive isolado, não se relaciona com ninguém, largou os estudos e se trancou em casa, fazendo uso do celular”.

Crime de discriminação

O investigado ainda compartilhou a foto de um terrorista neonazista responsável por atentados em Londres. Na legenda escreveu que ele era “o melhor removedor de subumanos”.

Ele também publicou vídeo de um ataque a uma pessoa em situação de rua com coquetéis molotov e retuitou uma postagem de cunho antissemita: “I’m so sick of these jews it’s unreal” (“Estou tão farto desses judeus que é irreal”).

Segundo a denúncia, o homem realizou publicações que “evidenciam sua adesão a ideologias extremistas e seu apego a indivíduos com históricos criminosos notórios”.

Em 19 de junho de 2025, ele escreveu “Jeffrey Epstein please save me” (“Jeffrey Epstein, por favor, me salve”). Epstein foi um criminoso sexual e magnata financista dos Estados Unidos.

Outro registro citado na denúncia é da mesma data da mensagem anterior. “Every trucel likes Algore” (“Todo truecel gosta de Algore”). A expressão “truecel” é um termo derivado da subcultura “incel”.

“Embora nem todos os incels sejam extremistas, uma facção dessa comunidade é associada a ideologias misóginas, ódio às mulheres e, em alguns casos, a movimentos de supremacia masculina e extrema-direita que defendem violência contra mulheres”, ressalta o MPPE.

Prisão

A pedido do MPPE, a Justiça expediu mandado de prisão preventiva, que foi cumprido em 9 julho de 2025.

Após a prisão, o curso da ação penal chegou a ser suspenso por causa de instauração de incidente de insanidade mental. Laudo pericial posterior, entretanto, reconheceu que, no período dos fatos, o réu era totalmente capaz de entender o caráter criminoso de sua conduta e de se comportar de acordo com esse entendimento.

Em interrogatório, o jovem confessou os crimes e disse que estava arrependido.

Segundo o juiz, na decisão, o MPPE comprovou a prática de cinco crimes de apologia e outras quatro de discriminação.

“O mesmo efetivamente estava planejando realizar um ataque a uma escola, pondo em perigo a vida de diversas crianças e adolescentes, além de professores e demais funcionários da unidade de ensino”, escreve o magistrado.

“Menino bom”

Procurado, o advogado de defesa José Vinícius Simplicio de Lima declara que já entrou com uma apelação contra a decisão e que o cliente é inocente. Segundo o advogado, o réu jamais cometeria o atentado.

“Trata-se de um menino bom, um rapaz novo, que se envolveu com essas pessoas, mas não compactuou com qualquer racismo, qualquer discriminação ou apologia ao crime”, defende.

“A defesa entende e já conversou com ele que era muita curiosidade dele em saber os pensamentos dessas pessoas, a forma de agir, mas em nenhum momento ele tentaria fazer algum atentado na cidade de Cachoeirinha ou qualquer outra cidade vizinha”, complementa José Vinícius.

O advogado também reforça que o cliente tem transtornos mentais, com histórico na família.

“Ele é uma vítima do Estado, que não deu apoio social, médico. Faltam políticas públicas para dar suporte às pessoas nessas condições”, diz o advogado, acrescentando que o réu está totalmente arrependido.

O homem estava na Penitenciária Juiz Palácio de Souza, em Caruaru, no Agreste. Segundo o advogado, ele deixou a prisão para cumprir a pena no regime aberto nesta quarta-feira (4).

 

Fonte Diario de Pernambuco

Subtitle
Subtitle
Subtitle

Postagens Mais Vistas