A dentista Anna Carla Calazans, de 33 anos, e o marido, o médico ortopedista Antonio Carlos Souza, 32, tiveram uma surpresa ao perceber, na segunda-feira (31), que a filha, Anna Carolina Calazans, de 21 dias, tem 94,2% de imunidade contra a Covid-19. A informação foi confirmada por meio de um teste de anticorpos totais neutralizantes feito em um hospital particular do Recife.
Anna Carla estava grávida de sete meses quando recebeu as duas doses da CoronaVac/Butantan, em posto de vacinação de Olinda, no Grande Recife.
“Primeiro, tomei um susto, pensando que estava errado, porque eu achava que ela iria estar imune, mas não esperava que fosse tão grande a resposta. E, depois, veio uma mistura de alegria, alívio, esperança, tudo junto”, contou.
Depois de tomar as doses do imunizante nos dias 15 e 30 de março, a dentista fez o teste de anticorpos em abril. O resultado foi o mesmo do exame da filha: 94,2%.
“Para quem ainda está em dúvida se deve tomar ou não, eu diria para acreditar na ciência, acreditar na vacina e pensar no bem para os filhos. É uma proteção para eles, uma esperança para a gente e um sossego”, afirmou.
Profissionais da área de saúde, Anna Carla e o marido eram considerados de alta exposição ao vírus. Mesmo assim, foram muitas as críticas quando ela decidiu que tomaria a vacina durante a gravidez. Na época, eram poucos os estudos sobre a segurança e eficácia da imunização na gestação.
“Meu marido foi vacinado em janeiro e logo depois falei para o meu médico que queria. Na época, me chamaram de louca, mas eu só pensava no bem que eu poderia estar fazendo para a minha filha. Nem lembrava de mim, só pensava que estava protegendo ela. E realmente foi o que aconteceu”, ressaltou.
O virologista Rafael Dhalia, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e membro da Academia Pernambucana de Ciências, explicou que, durante a gestação ocorre uma transmissão transplacentária, ou seja, os anticorpos da mãe são transferidos para o bebê, garantindo a imunidade da criança nos primeiros meses de vida.
“Se a mãe foi capaz de produzir anticorpos neutralizantes contra o Sars-Cov-2, é natural que esses anticorpos sejam também transferidos para o feto. Em fevereiro a Pfizer registrou um estudo específico para mulheres gestantes e lactantes e em março apresentou resultados bem robustos, demonstrando uma resposta imune alta com transferência de imunidade”, lembrou.
Segundo o virologista, as pesquisas também demonstraram a transferência de anticorpos para os bebês pela amamentação. Ele ressaltou, no entanto, que essa transferência passiva garante uma imunidade passageira e que esses anticorpos tem uma meia-vida temporária.
“Enquanto a criança estiver sendo amamentada, continua recebendo anticorpos. Para o bebê ter uma imunidade duradoura, teria de ser imunizado através da vacinação, mas a vacina contra Covid-19 ainda não foi autorizada para crianças como a da Influenza, usada em crianças a partir de seis meses”, disse.
O que diz a secretaria de Saúde
Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) afirmou que ainda não há protocolos específicos estabelecidos pelo Ministério de Saúde para indicação e avaliação laboratorial de recém-nascidos de mães imunizadas contra a Covid-19.
Na nota, a SES reforçou a eficácia dos imunizantes contra o vírus disse que é otimista sobre a possibilidade de transmissão de imunidade biológica da mãe para o bebê, “embora ainda não haja confirmação da duração da proteção conferida aos bebês nos casos já relatados em outros estados”.
Vacinação de grávidas
Grávidas e puérperas (mulheres que tiveram filhos há até 45 dias) podem se vacinar contra a Covid-19 em diferentes locais em Pernambuco.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) dividiu em maio a imunização desse grupo prioritário em quatro polos de vacinação, três deles localizados no Grande Recife e um no Agreste.
Fonte: G1 PE


