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Fraude em concurso: detidos em flagrante usaram relógio inteligente e pontos no ouvido para repassar questões da prova em Paulista (PE)

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Três homens foram flagrados no domingo (11) tentando fraudar um concurso público para guarda municipal, em Paulista (PE). Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, um dos detidos era o responsável por fotografar a prova para que pessoas de fora repassassem as respostas.

Eles foram levados para a delegacia e atuados por fraude em concurso e organização criminosa, mas acabaram sendo libertados, segundo advogados.

A prova foi aplicada para 39 mil candidatos em 80 escolas.

De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos foram flagrados no início da aplicação das provas e, por isso, “não foram verificados indícios que comprometesse a lisura do certame”.

As informações foram repassadas nesta segunda-feira (12) em coletiva de imprensa. Conforme o delegado Júlio César Barbosa, adjunto da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, a investigação teve início em 7 de janeiro com uma denúncia anônima.

A partir disso, a Polícia Civil conseguiu chegar a nomes suspeitos e agir de forma simultânea nas escolas.

“O suspeito, que portava um smartwatch e ocupa um cargo elevado na hierarquia da organização criminosa, era responsável por capturar e repassar o conteúdo das provas. O objetivo dele não era a aprovação, mas o fornecimento das questões para cúmplices externos”, detalhou Barbosa.

Para fraudar o exame, de acordo com a polícia, os suspeitos deixavam uma prova falsa na mesa e levavam a verdadeira ao banheiro. Lá, fotografam o conteúdo e o enviam para fora do prédio antes de retornarem aos seus lugares. Assim, os demais membros da organização repassavam as respostas corretas.

O repasse era feito por meio de pontos eletrônicos que, segundo a corporação, não podiam ser vistos normalmente na orelha.

Os outros dois presos, que realizavam provas em escolas em Paulista e Abreu e Lima, os usavam.

Em vídeo divulgado pela Polícia Civil, um dos detidos em flagrante está em uma Unidade de Saúde tendo o ponto eletrônico removido de seu ouvido.

Para receptar as ligações com as respostas, a corporação conta que encontrou com os homens um celular antigo e um “cartão de crédito”.

“O dispositivo simula um cartão de crédito comum, mas é um pouco mais grosso. Ele tem um chip telefônico e recebe ligações de celular, retransmitindo-as via Bluetooth para o ponto eletrônico do usuário”, explicou o delegado.

De acordo com o policial, os valores cobrados pela fraude variavam de R$ 5 mil, podendo chegar até R$ 170 mil.

Também em Paulista, a polícia prendeu um quarto suspeito que tentava fraudar o concurso para o cargo de agente de trânsito.

Esse homem não tem relação com a quadrilha que participou do crime no certame para a guarda municipal.

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